Flávio aceita abrir sigilo, mas impõe condições a Lula

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio de abrir seus sigilos bancário e telefônico, mas impôs condições ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
21 de outubro de 2026 por Impacto Maranhão

Em encontro com apoiadores em Guarulhos (SP), organizado pelo governador Tarcísio de Freitas, ele disse, segundo a Jovem Pan: "Eu não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências."
Segundo a Gazeta do Povo, Flávio protocolou petição no TSE em que autoriza o acesso aos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas condiciona a entrega à apresentação de dados do governo. Ele pede que o TSE intime Lula a se manifestar. As reportagens consultadas não trazem resposta direta de Lula às condições.
Quais são as condições de Flávio Bolsonaro
De acordo com a Gazeta do Povo e a Jovem Pan, Flávio exige a abertura do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula; a divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023; informações sobre o patrimônio da família do presidente e sobre as atividades do Instituto Lula; e os registros de visitantes do Palácio da Alvorada.
A petição também pede, segundo a Gazeta do Povo, a agenda da primeira-dama, Janja da Silva, anterior a fevereiro de 2025, os registros de visitas de filhos de Lula ao Alvorada e informações sobre as relações do governo com Daniel Vorcaro e com investigados no caso INSS. Flávio disse que só entregará os próprios dados depois da apresentação desses documentos. Sobre Marcola, afirmou que Lula não usa celular e que as ligações passam por pessoas próximas.
Flávio sustenta que valores recebidos por Marcola da lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no caso do INSS, podem ter custeado despesas pessoais de Lula e Janja, segundo a Gazeta do Povo. A reportagem não traz comprovação dessa alegação nem resposta de Lula a ela. O Estado de Minas informa que Flávio também citou um áudio atribuído a Vorcaro, cuja defesa nega a fala e cuja veracidade não foi comprovada.
O que Lula já fez sobre os sigilos
Lula lançou o desafio no debate da TV Band, em 18 de outubro. Segundo a Jovem Pan, na terça-feira (20) a campanha dele protocolou no TSE autorização para divulgar os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de familiares dos últimos oito anos, em plataforma pública. A liberação depende de Flávio fazer o mesmo, e o pedido ainda não continha os dados. O Estado de Minas informa que o documento também foi entregue ao STF.
No debate, segundo a Gazeta do Povo, Lula havia oferecido os sigilos de Janja, de seus filhos e da empresa de eventos dela, caso Flávio abrisse os da própria família e dos negócios. Na terça, Lula disse que Flávio só poderia participar do debate da TV Globo se apresentasse o documento, de acordo com a Jovem Pan. Antes da fala de Flávio, Tarcísio afirmou que Lula estava com medo e buscava uma desculpa para faltar.
O que ainda não está confirmado
Uma versão do assunto associa a abertura do sigilo de Flávio a um sigilo de 100 anos do cartão corporativo. Nenhuma das reportagens consultadas menciona esse prazo. O que consta é a exigência de divulgação dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023. Esta matéria não adota o prazo de 100 anos por falta de fonte.
Também não está confirmado se Lula atenderá às condições. As reportagens não informam prazo para o TSE responder à petição. Por isso, o texto trata a fala de Flávio como aceitação condicionada, e não como abertura efetiva de sigilos. As informações de cada lado são atribuídas a quem as divulgou e serão atualizadas se houver resposta do TSE ou da campanha de Lula.
O que acontece a seguir
O debate da TV Globo está marcado para sexta-feira (23), segundo a Agência Brasil, e o segundo turno é no domingo (25). As reportagens não indicam se a participação de Flávio no debate depende da entrega do documento, e Lula afirmou na terça que dependeria. A próxima etapa é a manifestação do TSE sobre a petição de Flávio.







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