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Justiça encerra recuperação judicial da Americanas

Foto do escritor: Impacto Maranhão
Impacto Maranhão
20 de out.
3 min de leitura

A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro encerrou na segunda-feira (19) a recuperação judicial do Grupo Americanas, em decisão do juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira.

20 de outubro de 2026 por Impacto Maranhão





O magistrado entendeu que a companhia cumpriu as obrigações do plano que venceram em até dois anos após sua aprovação. A decisão ainda cabe recurso, segundo a Agência Brasil.

Com o encerramento, a expressão "em recuperação judicial" deverá sair do nome das empresas nos registros oficiais quando a decisão se tornar definitiva. A sentença alcança também subsidiárias, como B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações, segundo a Bloomberg Línea. O administrador judicial e o Ministério Público do Rio de Janeiro deram pareceres favoráveis ao encerramento.

Como a recuperação judicial da Americanas chegou ao fim

A recuperação começou em janeiro de 2023, depois que a empresa divulgou inconsistências contábeis, inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. A Bloomberg Línea informa que a estimativa foi revista depois para R$ 25,3 bilhões. A dívida submetida ao processo era de cerca de R$ 43 bilhões, com 16.300 credores.

O plano foi aprovado em assembleia em dezembro de 2023 e homologado pela Justiça em 26 de fevereiro de 2024. Segundo a Bloomberg Línea, previu aumento de capital de R$ 24,5 bilhões, dos quais R$ 12,3 bilhões em dinheiro dos acionistas de referência, além da conversão de parte da dívida bancária em ações e descontos de até 80% a alguns credores. A empresa pediu o encerramento em 25 de março de 2026.

O que a decisão não encerra

O juiz rejeitou objeções de detentores de bônus, que alegavam pagamentos menores com a conversão de dívidas em dólar para reais. Segundo a Bloomberg Línea, ele entendeu que a cláusula era conhecida dos credores desde maio de 2024 e que o plano foi aprovado sem ressalvas. Objeções de fornecedores e de locadores também foram rejeitadas.

O fim da recuperação não extingue direitos dos credores. Quem entender que o plano foi descumprido pode pedir execução específica ou falência. Disputas pendentes sobre créditos continuam na mesma vara. O administrador judicial deve apresentar relatório de execução do plano em 15 dias e prestar contas em 30 dias, de acordo com a Bloomberg Línea.

Os processos criminais seguem abertos. A Bloomberg Línea informa que o ex-CEO Miguel Gutierrez, que nega irregularidades, e sete ex-executivos foram acusados pela CVM de uso de informação privilegiada, e que a Justiça Federal tornou réus 12 ex-executivos na semana passada. A decisão desta segunda-feira trata apenas da recuperação judicial.

Situação financeira da Americanas hoje

Segundo a Bloomberg Línea, a dívida líquida era de R$ 1 bilhão no fim de junho de 2026, ante caixa líquido de R$ 488 milhões no fim de 2025. O lucro líquido de 2025 foi de R$ 98 milhões, contra prejuízo de R$ 182 milhões em 2024. No segundo trimestre de 2026, o prejuízo foi de R$ 274 milhões, e a receita líquida recuou 1,7%, para R$ 3,3 bilhões.

As vendas nas mesmas lojas subiram 9,3% no primeiro semestre. O número de lojas caiu de 1.863, em setembro de 2022, para 1.448, em março de 2026. As ações AMER3 fecharam a segunda-feira em alta de 6,99%, a R$ 5,97. Em fato relevante, a companhia classificou o encerramento como um marco importante em sua trajetória.

O que acontece a seguir

O próximo passo é o prazo para recurso, que as reportagens não detalham, e a entrega do relatório do administrador judicial em 15 dias. Enquanto a decisão não for definitiva, o nome das empresas segue com a identificação de recuperação judicial nos registros.


 
 
 

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